ARTIGO PILATES
O PILATES E O APRENDIZADO MOTOR
Fisioterapeuta (CREFITO 120.411-F)
Professora do Curso ActivePilates Brasil, Especialista em Pilates, Aprofundamento em Pilates nas escolas Retrofit, Riverdalle e Stott Pilates
A experiência de trabalhar com o método pilates nos aguça alguns
questionamentos sobre nossas próprias condutas. Pilates é qualidade de
movimento e não quantidade – é assim que aprendemos. É ensinado aos
nossos alunos todo movimento correto nas primeiras aulas, respeitando os
princípios do método e com ênfase no alinhamento corporal para que o
movimento ocorra com menor gasto energético, postura e qualidade de
movimento. “Crescer a coluna, abaixar os ombros, levantar a cabeça, pés
vivos, respirar” tudo ao mesmo tempo podem gerar no aluno contrações
desnecessárias desencadeando tensões musculares e até mesmo um pequeno
grau de estresse mental.
O que fazer então para simplificar o aprendizado, tornando o aluno apto a realizar os exercícios da melhor maneira?
De acordo com Fitts e Posner que descreveram a teoria de aprendizagem
de uma nova habilidade, este processo pode ser dividido em três
estágios. No primeiro, o indivíduo está envolvido na compreensão do
exercício e desenvolverá estratégias para executá-lo. No segundo
estágio, o indivíduo já selecionou a melhor estratégia e refina a sua
habilidade. No terceiro, o individuo automatiza o movimento não
necessitando mais de tanta atenção para ser efetuado. Neste último
estágio a pessoa pode começar a dedicar a sua atenção a outros aspectos
da habilidade em geral.
A partir desta teoria, pode ser estabelecido o seguinte raciocínio no pilates:
- Alinhar o aluno conforme o manual de boa postura, respeitando as particularidades do mesmo, de forma que este alinhamento não o traga desconfortos. Se o alinhamento ideal gerar tensões, é preferível retroceder em algo.
- Enumere os pontos mais importantes e comece a intervenção por eles. Se, por exemplo, o exercício for para os membros superiores e o aluno não consegue manter o alinhamento dos pés, manteremos o foco nos membros superiores e deixaremos para outro momento o alinhamento dos pés, desde que, o aluno não seja prejudicado. Neste caso, estamos nos referindo a um aluno novo que não consegue fazer tudo ao mesmo tempo.
A partir do momento que o aluno formar o engrama para o exercício dos membros superiores, ele conseguirá unir uma segunda informação.
- Reduzir os graus de liberdade. Quando um indivíduo aprende pela primeira vez uma habilidade, os graus de liberdade do corpo são restritos até tornar mais fácil a sua execução. À medida que o indivíduo domina a tarefa, liberam-se os graus de autonomia da articulação principal permitindo mais eficiência no movimento e na habilidade. Assim também é com o corpo em relação ao espaço. Um exercício no solo sem uso de acessórios ou aparelhos, geralmente é mais fácil de obter controle. À medida que o aluno domina o movimento do seu próprio corpo e adquire consciência deste, é possível aumentar os recursos ampliando os graus de liberdade. A coordenação do movimento é, por exemplo, um dos maiores processos de dominação dos graus de liberdade.
Nas primeiras aulas de pilates o que deve ser levado em consideração é o movimento. Os exercícios devem ser ensinados de forma que o aluno compreenda o que é o Powerhouse, coluna neutra, respiração, o controle e a concentração. O exercício e o alinhamento perfeito são alcançados com a prática, com o grau de comprometimento do aluno e dedicação do professor.
Helsen, L. The Pilates Process – Therapeutic Pilates Course
Cook, A.S, Woollacott M.H. – Controle Motor – teorias e aplicações práticas.
Fonte: revista pilates

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